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Recomendações dos profissionais de saúde para melhorar os cuidados pós-violência e o acesso e a adesão à profilaxia pós-exposição ao HIV em Moçambique
Introdução:
Em Moçambique, a profilaxia pós-exposição (PEP) para prevenir o HIV é oferecida como parte do pacote essencial de cuidados pós-violência em 1450 unidades de saúde. No entanto, o acesso à PEP para o HIV e a adesão ao tratamento continuam a ser um desafio. Os profissionais de saúde foram entrevistados para identificar e sintetizar as suas recomendações para melhorar o acesso à PEP e a adesão ao tratamento.
Métodos:
Realizámos entrevistas semiestruturadas e aprofundadas com 20 profissionais de saúde adolescentes e adultos (3 homens e 17 mulheres) com uma experiência variável entre 2 e 15 anos, provenientes de 20 unidades de saúde em sete províncias, entre março e agosto de 2023. Os dados foram analisados utilizando análise temática indutiva e teórica. Analisámos a frequência com que os profissionais de saúde mencionaram recomendações específicas.
Resultados:
No que diz respeito ao acesso à PEP, os profissionais de saúde recomendaram a educação comunitária como a estratégia mais eficaz (10 menções). Em particular, os profissionais referiram a importância das palestras [palestras de saúde comunitária]. Os profissionais também destacaram frequentemente a necessidade de ter kits de PEP preparados (7 menções) e de a PEP estar prontamente disponível nas unidades de saúde (6 menções). No que diz respeito à adesão à PEP, os profissionais recomendaram o aconselhamento/educação dos clientes (13 menções) para garantir que estes compreendam a importância de tomar a PEP, como tomá-la corretamente e os potenciais efeitos secundários, que muitas vezes podem dissuadir os clientes de aderir ao tratamento. Além disso, os profissionais destacaram as chamadas preventivas [chamadas telefónicas de acompanhamento] cerca de duas semanas após a consulta inicial (9 menções) como o melhor meio de garantir que os clientes completem o regime completo de 28 dias e regressem para novos testes após 3 meses.
Os profissionais de saúde explicaram que as chamadas telefónicas de acompanhamento, apesar de o cliente viver longe da unidade de saúde, podem criar uma ligação que apoia os clientes. Os profissionais recomendaram a institucionalização das chamadas telefónicas de acompanhamento para uma implementação consistente em todas as unidades de saúde que oferecem PEP.
Conclusões:
Os profissionais de saúde entrevistados forneceram informações valiosas e recomendações para melhorar o acesso à PEP e a adesão ao tratamento, que poderiam ser consideradas para implementação em Moçambique e noutros países da África Subsariana.
Palavras-chave: profilaxia pós-exposição; cuidados pós-violência; violência sexual; violência por parceiro íntimo; HIV; acesso.
Cascata da Profilaxia Pós-Exposição para Sobreviventes de Violência Baseada no Género em Moçambique, 2023
Introdução:
Profilaxia pós-exposição (PPE) ao HIV, é um método de prevenção efectivo que consiste na administração de antirretrovirais aos indivíduos HIV seronegativos expostos a um potencial risco de transmissão do HIV por 28 dias, com início dentro de 72 horas após a exposição. A análise da cascata da oferta da PPE, é fundamental para compreender até que ponto as vítimas de violência baseada no género (VBG), especificamente violência sexual (VS) e violência física (VF), recebem a assistência adequada considerando os critérios de elegibilidade. Este artigo tem como objectivo analisar a cascata da PPE ao HIV em casos de VBG.
Métodos:
Foram analisados dados de 1.487 unidades sanitárias que oferecem o serviço no período de Janeiro a Dezembro de 2023, na qual foi considerado o tipo de VBG (sexual e física), sexo e faixa etária. As análises foram realizadas usando “Power BI (Business Intelligence)” e Microsoft Excel 365 para criar tabelas de distribuição de proporções e gráficos da cascata de PPE em função das variáveis.
Resultados:
Das 59.406 vítimas de VF e VS, 45% (26.653/59.406) foram aconselhadas para o teste de HIV, 80% (21.434/26.653) foram testadas para HIV, 70% (18.731/26.653) foram elegíveis a PPE, 38% (7.175/18.731) iniciaram PPE, com maior proporção em vítimas de VS (93% [6.875/7.409]) em relação à VF (3% [300/11.322]), 76% (5.452/7.175) a terminaram a PPE.
Conclusões:
A análise da cascata permite concluir que a oferta da PPE é mais consistente em vítimas de VS em relação às vítimas de VF. Por outro lado, observa-se um índice acrescido de positividade ao HIV em vítimas de VBG e o reporte de PPE evidencia necessidade de medidas para fortalecer a completude desta.
Palavras-chave: HIV, PPE, VBG, Moçambique.

